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segunda-feira, 22 de março de 2021

RUMO A CANAÃ

 


“Depois destes acontecimentos, veio a palavra do Senhor a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande. [...] Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te por herança esta terra. [...] Ao pôr-do-sol, caiu profundo sono sobre Abrão, e grande pavor e cerradas trevas o acometeram; então, lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos”. (Gn 15:1-13)

 

Quando você lê o relato do livro sagrado Gênesis, é possível perceber que o Deus Altíssimo fez alianças com seus servos, sendo Abrão, Isaque, Jacó e José, alguns deles. O objetivo principal era enfatizar a conquista de Canaã, cuja caminhada deveria estar sempre no coração e mente deles e do povo também.

 

Alguns contatos e experiências em Canaã já haviam acontecido com Abrão, Isaque e Jacó, porém, não na condição de um povo, e sim, individualmente, pois a nação de Israel ainda não existia. O que chama a atenção é que todos os patriarcas, sabedores que Canaã era o território prometido pelo Deus Altíssimo a Israel, fizeram questão de serem sepultados lá. Abrão comprou uma área em Canaã, que utilizou para sepultar sua esposa Sara, depois, ele próprio foi sepultado nesse lugar, Isaque também e, Jacó, mesmo estando no Egito, já em seu leito de morte, pediu a José que o sepultasse junto aos seus. Finalmente, José, na impossibilidade de ser sepultado em Canaã, pediu aos seus irmãos que quando o Deus Altíssimo os tirasse do Egito, levassem seus ossos para Canaã.

 

Qual a importância de tudo isso? É saber que a ida dos hebreus para o Egito não foi um passeio turístico! Fazia parte de um plano divino, no qual o Egito estava envolvido. Apesar das cebolas do Egito serem saborosas a ponto de fazer os hebreus suspirarem na caminhada... saudades das cebolas do Egito; ainda assim, o rumo era Canaã!

 

No texto bíblico citado acima, você nota que o Deus Altíssimo faz revelações a Abrão a respeito da terra prometida e mostra que nem tudo seria flores! É como se dissesse: Abrão, meu servo, vou lhe dizer com antecedência: “Sabe, com certeza, que tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos”. Isso aconteceu? Sim! Por que você acha que José foi parar no Egito? Só para livrar o povo da fome? Nos bons tempos (?) de José lá no Egito, o Faraó da época gostava tanto de José que fez questão que ele fosse buscar Jacó e todos os seus irmãos e familiares para morarem no bom e melhor do Egito, e foi por isso que eles lá ficaram durante quatrocentos anos, sofrendo nas mãos de outros Faraós, como escravos! Primeiro, o mel; depois, o fel!

 

Assim, não pense na vida de José no Egito, apenas como instrumento para resolver uma crise de fome naquele país, porém, entenda também como os propósitos do Deus Altíssimo se cumprem, ainda que muitas vezes não conseguimos compreender. Ao lermos o livro sagrado Êxodo, entenderemos outras revelações igualmente preciosas, lições que o Senhor quer nos conceder!

 

“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que deveria receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa, porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador”. (Hb 11:8-10)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

NO FINAL, DÁ TUDO CERTO?

 


“Vendo os irmãos de José que seu pai já era morto, disseram: É o caso de José nos perseguir e nos retribuir certamente o mal todo que lhe fizemos. Portanto, mandaram dizer a José: Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a José: Perdoa, pois, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, te rogamos que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. José chorou enquanto lhe falavam. Depois, vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: Eis-nos aqui por teus servos. Respondeu-lhes José: Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus? Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros e a vossos filhos. Assim, os consolou e lhes falou ao coração”. (Gn 50:15-21)

 

Ao ler este relato sagrado, muitos chegam a exclamar: Que maravilha! No final, tudo dá certo! Como nos livros de romance que terminam a história afirmando...  e foram felizes para sempre! Mas, seria isso mesmo? Quer dizer então que os irmãos de José, quando ele ainda era adolescente, praticaram vários atos de pura maldade, a maioria deles, queria mesmo era tirar a vida do garoto, por inveja, por maldade, por se sentirem inferiores a José, acataram em suas mentes e corações as insinuações malignas de Satanás, para se concluir no final que tudo acaba bem?

 

Não entendo dessa maneira! Desde o Jardim do Éden fica bem claro a forma como o Deus Altíssimo age. Não afaga o pecado! Mesmo diante das desculpas dos envolvidos, o Senhor declara a sentença de cada um deles! Leia o texto e preste atenção! O que se percebe, isso sim, é que o maligno tinha a intenção clara de destruir os planos de Deus. A raça humana, representada naquele momento por Adão e Eva, aliou-se ao inimigo e, a humanidade é hoje o que é!

 

Entretanto, o Deus Altíssimo, frustrou as intenções malignas e com um ato só, realizado na Cruz do Calvário, através de Cristo, condenou o pecado, juntamente com o império das trevas e conquistou para aqueles que nEle crêem, a redenção eterna! Porém, as conseqüências do pecado no mundo, aí estão para que todos saibam que aquilo que semeiam, colhem!

 

Em se tratando dos irmãos (?) de José, o que eles fizeram foi uma tentativa de, incentivados pelo maligno, sabotarem os planos de Deus! É isso que vem acontecendo em todo o transcorrer da história humana. E eles tinham consciência disso, sim! Tanto que, diante da aspereza e rigor que sentiram por parte de José, mesmo sem o reconhecer, tiveram certeza que estavam sendo punidos pelo mal que causaram ao irmão mais novo. (Gn 42:21-22)

 

Observe também que, na ocasião em que Jacó, pressentindo que estava para morrer, chamou todos os filhos para despedir-se e abençoá-los. No entanto, excetuando Judá e José, os demais receberam palavras duras e até de repreensão pelos seus atos. Nada indica que houvesse concordância por parte de Jacó em relação às atitudes dos irmãos de José! Se nem Jacó conseguia engolir essas delinqüências, quanto mais Deus?

 

Assim, é necessário que os cristãos tenham discernimento e muito cuidado quando afirmam que o Deus Altíssimo é aquilo que Ele mesmo abomina! Principalmente no que diz respeito à Justiça! O Senhor aceitou Abel e rejeitou Caim, aceitou Jacó, rejeitou a Esaú, estabeleceu Davi como rei e rejeitou Saul! Leia os textos e analise os porquês! Lembre-se que no momento da crucificação de Cristo, dois malfeitores ao lado do Senhor, um à direita, outro à esquerda, um escarnecendo, outro arrependido. Duas sentenças!

 

Precisamos prestar muita atenção para percebermos e não cairmos nas armadilhas satânicas. O discurso dele é sempre o mesmo: Faça o que quiser que no fim dá tudo certo! Luz e trevas, amor e ódio, justiça e injustiça, certo e errado aceitável ou não, tudo dá no mesmo! Não é o que constatamos na atitude do Deus Altíssimo! De tal forma Ele abomina o pecado que o condenou em Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo!

 

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” (Is 50:20)      

 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

AUXÍLIO EMERGENCIAL?

 


“Passados os sete anos de abundância, que houve na terra do Egito, começaram a vir os sete anos de fome, como José havia predito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão. Sentindo toda a terra do Egito a fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó dizia a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser fazei. Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito. E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo”. (Gn 41:53-57)

 

José do Egito é reconhecido pelos economistas como exemplo de administração financeira. O primeiro a perceber essa qualidade em José foi Faraó, (rei dos egípcios na época), pois, afinal, Faraó era um título (Sol) dado aos reis egípcios; portanto passava de pai para filhos. Era também uma espécie de Monarquia. Porém, em se tratando de Economia, só um especialista no assunto poderá nos esclarecer.

 

No entanto, alguns princípios adotados por José, contradizem o que vemos na economia atual, principalmente, aqui no Brasil. Vemos nas orientações do “Ministro José”, que durante os sete anos de fartura, era terminantemente proibido desperdiçar, esbanjar, jogar fora a produção excedente! Recomendou-se que a quinta parte da produção fosse armazenada em celeiros. O que se percebe, hoje, que para se manter preços, joga-se as sobras que podem faltar amanhã! Já vi café ser queimado, leite derramado, tomates e batatas jogadas em monturo! No meu entender, está errado! Mas, não sou economista!

 

Outra coisa, diante da crise de falta de alimentos na época de José, lá no antigo Egito, não havia Bolsa Família ou Cesta Básica, não havia Auxílio Emergencial, coisa nenhuma! As pessoas dirigiam-se ao governo para “comprar” alimentos, não para recebê-los gratuitamente! Acabou o dinheiro? Trocavam os alimentos pelos animais que possuíam. Acabaram-se os animais? Trocavam os alimentos pelas terras que possuíam! Finalmente, entregaram-se a Faraó como mão-de-obra em troca de pão!

 

Sinceramente, que espécie de economia era essa? Isso é tirar do povo tudo o que eles têm! E os economistas que me desculpem! José, por fim, estabeleceu “a lei do quinto”, ou seja, deu sementes ao povo para plantar e a quinta parte da produção seria para o governo. Achou legal, isso? Que admiração não querer “vender” as sementes também! Se há algo de positivo em tudo isso, é a prontidão do povo para o trabalho! O povo queria o fruto do seu trabalho digno! Não vejo na atitude de José nenhuma manifestação de candura, bondade e misericórdia para com o povo!

 

Mas vejo sim, seriedade, objetividade e até rigor na condução da economia egípcia em momentos de crise! Mas, dizer que José era bonzinho? Era, não! Muitos sistemas, ideologias políticas e formas de governo têm surgido na história da humanidade. Até hoje não descobriram o que funciona melhor. Mas, com José, em sua maestria em  conduzir uma potência como era o Egito na época, aprendemos a não desperdiçar alimentos, a pensar com antecedência na provisão para tempos difíceis, a não induzirmos o povo à acomodação achando que o governo tem obrigação de dar tudo de graça para todos. Isso não existe! Governo administra, mas não produz! Quem produz é o povo que trabalha honestamente e é digno de seu salário! Por isso a classe empresarial também precisa ser valorizada, pois gera emprego e salários. Penso que não precisa ser Economista para entender esses princípios.

 

“Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos”. (Tg 5:4)

 

  

 

                                              

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

DE ESCRAVO A GOVERNADOR

 


“Então, Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa e foi apresentar-se a Faraó. Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo. Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó”. (Gn 41:14-16)

 

Algumas lições saltam aos olhos de quem lê o relato bíblico acima. Primeira: Um rei poderoso curva-se diante de um prisioneiro escravo, alegando, quase suplicando socorro! Imagino o Deus Altíssimo falando a José: Chegou a sua vez! É hoje, meu rapaz! Vou mostrar a todos, tanto o povo egípcio, como ao Faraó, por que Eu trouxe você aqui no Egito. Achavam que Eu tinha abandonado meu servo? Agora eles vão saber!

 

Segunda lição: José, rapidamente, barbeou-se, mudou de roupa, acho que usou um “gelzinho” nos cabelos, tomou banho e, penso que ouviu de Deus um elogio: Isso! Fique bem bonito! Meu servo tem que apresentar-se bem! Terceira lição: Faraó estava terrivelmente abalado por causa de um sonho que valia por dois! E pior, não havia quem pudesse interpretá-lo! É hora de aprender que, sem Deus, as pessoas ficam perdidas, sem rumo, sem direção!

 

Quarta lição: José não se apoderou de nenhum mérito pessoal! Ele respondeu a Faraó: Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável ao rei! É fundamental que os servos do Senhor, aprendam essa lição! A glória, a honra e o mérito pertencem a Deus! O que tem de pessoas por aí, agarrando para si mesmas, a glória que pertence a Deus! Querem ficar famosas! Querem os elogios! Querem que todos os olhem com reverência! Cuidado! Lúcifer caiu e passou para o cargo de Satanás por causa disso!

 

Vamos resumir o sonho de Faraó: Ele estava de pé na margem do rio Nilo. Viu sete vacas gordas e formosas pastando. Em seguida, mais sete vacas magras, feias, famintas que comeram as vacas gordas e continuaram magras e feias. Viu também, sete espigas que saiam de uma só haste e eram boas e cheias. Em seguida brotaram sete espigas secas, mirradas e crestadas do vento oriental. As sete espigas mirradas devoravam as sete espigas boas.

 

“Então, lhe respondeu José: O sonho de Faraó é apenas um; Deus manifestou a Faraó o que há de fazer. As sete vacas boas serão sete anos; as sete espigas boas, também sete anos; o sonho é um só. [...] Esta é a palavra, como acabo de dizer a Faraó que ele há de fazer. Aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito. Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra; [...] O sonho de Faraó foi dúplice, porque a cousa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la”. (Gn 41:25-32)

 

José aconselhou o rei do Egito a designar alguém que recolhesse em celeiros a quinta parte dos frutos da terra nos sete anos de fartura e cereal suficiente para servir de mantimento e abastecer a terra nos sete anos da fome que sucederia aos sete anos de abundância. Faraó ficou satisfeito com a sugestão de José e reunindo todos os seus oficiais disse: “Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus? Depois, disse Faraó a José: Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu”. (Gn 41:38-40)

 

Imagino que os oficiais de Faraó estavam admirados com a pessoa de José! Provavelmente, nunca haviam ouvido nada sobre ele! Afinal, perguntavam, quem é esse homem? Qual é a origem dele? Onde ele estudou? É formado em quê? A família é rica? Tem bons antecedentes? É egípcio? Qual a religião dele? Ao descobrirem que José foi trazido e vendido como escravo, tinha sido servo de Potifar, foi preso sob acusação de desrespeitar a esposa de seu senhor, devem ter ficado atônitos! É ele que vai governar nosso País?

 

Entretanto, o que prevaleceu na conduta de José? O Deus Altíssimo, o Todo Poderoso, o Soberano Senhor dos céus e da terra! Aquele que conduziu seu servo ao Egito, porque tinha propósitos com aquele povo. E Israel faria parte dessa História! Tentaram derrubar José e não conseguiram! A cada aparente derrota, havia uma vitória logo em seguida! Aquele adolescente, hebreu, vendido como escravo pelos próprios irmãos, servo de Potifar, acusado e preso injustamente, jamais se afastou do Deus Altíssimo, nunca perdeu a fé, fiel, obediente, prestativo, inteligente, bom administrador, sim, foi elevado ao cargo de Governador do Egito! De escravo a Governador!

 

“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento”. (II Co 2:14)

 

 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

DUAS SENTENÇAS, DOIS DESTINOS!

 


“Passadas estas cousas, aconteceu que o mordomo do rei do Egito e o padeiro ofenderam o seu senhor, o rei do Egito. Indignou-se Faraó contra os seus dois oficiais, o copeiro-chefe e o padeiro-chefe. E mandou detê-los na casa do comandante da guarda, no cárcere onde José estava preso. O comandante da guarda pô-los a cargo de José, para que os servisse; e por algum tempo estiveram na prisão. E ambos sonharam, cada um o seu sonho, na mesma noite; cada sonho com a sua própria significação, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que se achavam encarcerados. Vindo José, pela manhã, viu-os, e eis que estavam turbados. Então, perguntou aos oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere da casa do seu senhor: Por que tendes, hoje, triste o semblante? Eles responderam: Tivemos um sonho, e não há quem o possa interpretar. Disse-lhes José: Porventura, não pertencem a Deus as interpretações? Contai-me o sonho. (Gn 40:1-8)

 

Temos neste relato bíblico, a descrição de fatos que ocorreram na vida de dois oficiais do rei do Egito, o copeiro e o padeiro que exerciam funções de confiança no reino. Algo de grave aconteceu, o rei ficou irado com eles e os colocou no cárcere, junto com José, que ficou designado pelo comandante para servi-los. Certa manhã, José percebeu que eles estavam aflitos! O que houve? José perguntou. Tivemos um sonho! Percebam que eles tiveram o discernimento de que os dois sonhos eram, na verdade, um só! Pelo menos no significado.

 

José lhes explicou que as interpretações pertencem a Deus! Notem que ele não se apoderou de nenhum reconhecimento! Posso lhes ajudar, consultando o Deus Altíssimo, mas o mérito é dEle! Contem-me o sonho! Resumindo, era isso: Copeiro: Havia uma videira com três ramos, com flores e cachos de uvas maduras. Ele espremeu as uvas no copo e o entregou nas mãos do rei. Fácil interpretação: Dentro de três dias você voltará a servir ao rei!

 

Agora, o padeiro: Havia três cestos de pão na cabeça do padeiro. No cesto mais alto, havia pães especiais, mas os pássaros os comiam. Interpretação: Dentro de três dias serás morto! Notem que José não se preocupou em tornar a sentença mais suave! Falou a verdade! Duas sentenças: Vida para um, morte para o outro! Dois destinos: Libertação para um, condenação para o outro! Interessante que José pediu ao copeiro que se lembrasse e intercedesse por ele diante do rei! Eu sou inocente, disse José! Mas o copeiro não se lembrou de José, porém dele se esqueceu!

 

Por certo, você deve estar pensando: Coitado de José! Mais uma decepção! Só que não! Dali dois anos, foi a vez do próprio Faraó ser acometido por dois sonhos, também com um só significado, e o congresso de adivinhos do rei, não tinha nenhuma condição de interpretar os sonhos! Imagine um salão suntuoso, cheio de feiticeiros, necromantes, magos, adivinhadores, todos formados no mais alto grau de interpretações de sonhos, visões, alucinações, todos perdidos no espaço, tende que reconhecer: Não sabemos! Não conseguimos! Muito difícil! Impossível!

 

Pois foi nesse clima, que o copeiro-chefe, o cara que se beneficiou do ministério de José, o esquecido, que sofria de amnésia, e que por certo já estava com sinais de “mal de Alzheimer”, foi sacudido pelo Deus Altíssimo, como quem diz: Escute aqui, seu mal-agradecido, vai lá falar para o seu rei, o que você já deveria ter feito, há dois anos, sobre José, meu servo, lembra-se agora? E saiba que quem vai ficar famoso, não é você, não!

 

Há muitas lições preciosas nesse texto sagrado, mas o que precisa ser destacado, no meu entender, é o fato de que o Deus Altíssimo tem revelações que Ele quer que você, eu e todos saibamos, e que, no passado bíblico, Ele usou até a linguagem de “sonhos” para avisar às pessoas de Seus propósitos! Quando nem assim as pessoas entendiam, o Senhor levantava profetas, servos especiais, para decifrar o sentido da Palavra! Acontece que o pecado entenebrece o entendimento das pessoas a tal ponto, que essa comunicação entre Deus e o ser humano exigiu contato pessoal! Foi por isso que Cristo veio em carne e osso para falar com as pessoas olhando nos olhos! Entendeu?

 

Assim, a missão de Cristo também apresenta duas sentenças e dois destinos! Um para a Vida Eterna e outro para a Condenação Eterna! Depende da resposta que o pecador der diante do sacrifício expiatório de Cristo! Se a pessoa olhar para Cristo, duvidando, ironizando e rejeitando, como fez aquele homem crucificado ao lado do Salvador: “Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. (Lc 23:39-43) 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

FIEL A DEUS, SEMPRE!

 


“José foi levado ao Egito, e Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda, egípcio, comprou-o dos ismaelitas que o tinham levado para lá. O Senhor era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio. Vendo Potifar que o Senhor era com ele e que tudo o que ele fazia o Senhor prosperava em suas mãos, logrou José mercê perante ele, a quem servia; e ele o pôs por mordomo em sua casa e lhe passou às mãos tudo o que tinha. E, desde que o fizera mordomo de sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção do Senhor estava sobre tudo o que tinha, assim em casa como no campo”. (Gn 39:1-5)

 

Você sabe muito bem de que forma José foi parar na casa de Potifar, oficial de Faraó. Lembre-se disso: a inveja e ódio dos irmãos contra José, a negociação com a caravana de comerciantes que dirigia-se ao Egito, José vendido como escravo, além da simulação da morte de José, quando os irmãos apresentaram a túnica manchada de sangue a Jacó, o pai, que desmanchou-se em lágrimas achando que José tinha sido atacado por alguma fera.

 

Nessas condições, o jovem José tinha todos os motivos para achar que o Deus Altíssimo o tinha abandonado! Só que não! Era como se o Senhor se aproximasse de José e lhe dissesse: Menino, Eu estou aqui! Junto com você! E você, meu garoto, nem imagina tudo o que vamos fazer aqui, juntos! Vamos colocar esse País de cabeça para baixo! Você vai ser meu instrumento! Aja e proceda de acordo com o que Eu lhe mostrar, ouviu bem? Seremos uma dupla espetacular!

 

De Minha parte, vou abençoar a sua vida de tal maneira que tudo o que você fizer, prosperará! Você vai ver só! A começar por Potifar, oficial de Faraó! Ele vai ficar encantado com a sua competência, inteligência, capacidade de administração, claro! Pois sou Eu que vou dar aulas para você! Você vai enfrentar uns probleminhas com a esposa de Potifar! Você é jovem, forte, bonito! Ela vai querer seduzir você! Seja firme! Não caia nas armadilhas dela! Não traia, nem ao seu chefe Potifar e muito menos a Mim! Estou de olho!

 

Dito e feito! Quando José recusou e não aceitou os assédios da mulher de Potifar, um dia ela o agarrou e ele, para escapar, fugiu, deixando parte das vestes nas mãos dela! Foi o que bastou para ela inventar ou inverter os fatos. Disse ao marido que José a atacou e quando ela gritou, ele fugiu e aqui estão as provas, mostrando as roupas dele, que ela mesma tinha agarrado com as unhas! Que situação!

 

Foi assim que José foi parar no cárcere. Você acha que José ficou sentadinho, num cantinho, tristinho ou desesperado? Não! Mais uma vez o Deus Altíssimo colocou-se ao lado dele para explicar mais algumas coisas! Era como se dissesse: José, não se assuste com tudo isso! Já planejei tudo! Está vendo aquele carcereiro, lá? Já combinei com ele tudo! Ele vai ajudar você! Assim como Potifar, ele vai reconhecer seus valores! Vai perceber que você é o cara! Você vai ser chefe de tudo isso aqui! Já decidi isso! Apenas, seja fiel! Confie nos Meus propósitos! Confie em Mim!

 

E assim, a vida de José lá no cárcere era tranqüila, comia do bom e do melhor, trabalhava, administrava, sentia-se útil, o carcereiro era seu amigo e podia continuar assim, sem atropelos, até o dia em que mais dois prisioneiros chegaram ao cárcere. Quem eram? Nada mais que o copeiro-chefe e o padeiro-chefe do Faraó! Eram oficiais do rei do Egito! Nesse momento, é provável que o Deus Altíssimo cochichasse no ouvido de José: Está vendo esse dois? Algo maravilhoso nós vamos realizar através deles! Tenha paciência! Logo você saberá!

 

Enfim, a lição que devemos aprender desses fatos, é que o Deus Altíssimo está realizando neste mundo uma Obra magnífica de restauração de vidas! Ele, o Senhor, tem tudo planejado! O destaque de tudo é que Deus utiliza pessoas, que Ele mesmo escolhe para a execução desse Ministério. O que alguns não conseguem entender e por isso não aceitam o desafio, é que situações desagradáveis precisam ser vivenciadas, o que não significa que em algum momento o Deus Altíssimo tenha nos abandonado, entendeu?

 

O próprio Cristo, no momento da crucificação, exclamou: “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo:Eli, Eli, lama sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”? (Mt 27:46) Ali estava acontecendo a concretização da Obra maravilhosa da redenção humana! E houve um preço altíssimo a ser pago! Foi o momento em o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, estava sendo imolado, vertendo Seu sangue que nos purifica de todo pecado! Que estejamos dispostos e prontos a cumprir a missão que Cristo nos deu: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc l6:15)

 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

JOSÉ! AGORA É SUA VEZ!

 


“Habitou Jacó na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã. Esta é a história de Jacó: Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai. Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente. (Gn 37:1-4)

 

Não sei quem inventou essa ideia de que os seres humanos estão evoluindo cada vez mais e para melhor! Em alguns aspectos, talvez! Mas em termos de relacionamentos pessoais, o que percebemos no texto bíblico acima, mostra que continuamos agindo e sentindo do mesmo jeitinho que as pessoas agiam no passado! Não mudou nada! Vejam bem, José tinha apenas dezessete anos e vivenciou uma situação muito comum em nossos dias. Tinha uma família grande. Muitos irmãos. Era o preferido do papai. Diz o texto que José era o filho da velhice de Jacó. Nós diríamos “caçula” ou “temporão”.

 

E qual era a vantagem disso? Os irmãos o odiavam a ponto de não suportar a presença e a voz dele! Também tem o fato de que ele era poupado do serviço pesado! Na verdade ele só levava e trazia notícias, e más notícias! Depois veio aquela história da “túnica talar” que seu pai fez especialmente para ele! Para completar a raiva, o ódio, a inveja, a maldade de seus irmãos, José teve sonhos que indicavam que ele seria muito importante e que não só seus irmãos, mas também seus pais se curvariam diante dele em reverência a uma autoridade!

 

Diante de tudo isso, seus irmãos não suportaram mais! Nós vamos acabar com esse “folgado”! Só que eles exageraram na dose!  O quê que é isso? Matá-lo? Tirar a vida dele? Crime? Assassinato? Misericórdia! Pois fizeram pior que isso! José vinha à procura deles, a pedido do pai, só para ver se estavam bem e..., provavelmente, cantarolando, apreciando a paisagem, conversando com os passarinhos e, de repente, o agarraram, tiraram a túnica talar dele e o jogaram no poço! O propósito era matá-lo, porém, o irmão mais velho impediu.

 

Enquanto comiam pão, pensavam qual a melhor maneira de se livrar de José? Eis que surge uma caravana de mercadores e então, uma ideia brilhante fuzilou em suas mentes: Que tal ganharmos um dinheirinho vendendo-o como escravo a esses ismaelitas? Negociações feitas, e lá se foi José rumo ao Egito. Agora vem a parte mais cruel: Que diremos ao nosso pai? Simples: Vamos matar um animal, manchar a túnica talar de José no sangue e apresentá-la ao nosso pai. As conclusões ele mesmo vai tirar!

 

Dito e feito. Que crueldade! “Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam no sangue. E enviaram a túnica talar de mangas compridas, fizeram-na levar a seu pai e lhe disseram: Achamos isto; vê se é ou não a túnica de teu filho. Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; um animal selvagem o terá comido, certamente José foi despedaçado. Então, Jacó rasgou as suas vestes, e se cingiu de pano-saco, e lamentou o filho por muitos dias. Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até à sepultura. E de fato o chorou seu pai”. (Gn 37:31-35)

 

E assim começou o teste de José! Rejeitado pelos próprios irmãos, vendido como escravo aos mercadores, levado ao Egito como servo, onde sofreu assédio, calúnia, jogado na prisão, passou por traição e isso, por muitos anos! É de se pensar: Por quê? Prestou atenção ao fato de que quando o Deus Altíssimo reserva uma missão para os Seus servos, primeiro, Ele os testa? Vamos chamar essa experiência de “o vau de Jaboque”! Nenhum servo do Senhor estará pronto para o ministério, sem passar pelo “vau do Jaboque”! Foi assim com Jacó também! É quando o Deus Altíssimo põe a nossa fé e fidelidade à prova! Você já passou pelo seu “vau do Jaboque”?

 

“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo”. (I Pe 1:6-7)

 

    

 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

VAMOS FAZER AS PAZES?

 


“Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e disse consigo: Vêm próximos os dias de luto por meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão”. (Gn 27:41) “E ele mesmo, adiantando-se, prostrou-se à terra sete vezes, até aproximar-se de seu irmão. Então, Esaú correu-lhe ao encontro e o abraçou; arrojou-se-lhe ao pescoço e o beijou; e choraram”. (Gn 33:3-4)

 

Esses relatos bíblicos mostram uma realidade que atravessa gerações, ou seja: Conflito, brigas, discussões, ofensas entre irmãos! E irmãos de sangue, filhos dos mesmos pais! Situações que geram separação, falta de comunicação por quase uma vida inteira! Muitas vezes diagnosticamos: Reconciliação? Fazer as pazes? Convivência? Nunca mais!

 

Jacó e Esaú se separaram quando ainda jovens. Os motivos? Leia os capítulos 27 e 33 de Gênesis. O que podemos destacar é que havia um troféu importantíssimo que poderia ser de Esaú, mas ele não soube valorizar e trocou esse prêmio por um prato de comida! E qual era esse tesouro? Era a Aliança com o Deus Altíssimo, feita inicialmente com Abraão, depois, Isaque, e, finalmente com Jacó que lutou por ela até alcançá-la!

 

Lembre-se que essa aliança entre o Deus Altíssimo e a humanidade, previa o surgimento de uma nação, Israel, e o nascimento do Messias e Salvador, Jesus Cristo, cuja Obra contemplaria todo o mundo! Foi essa bênção que Esaú desprezou, apenas porque estava com fome e achou que um prato de lentilhas era mais importante que a comunhão com Deus! O mundo ímpio e incrédulo continua desprezando a Cristo, muitas vezes por motivos até inferiores a um prato de comida!

 

Esaú é o retrato das pessoas que não têm discernimento espiritual, nem entendimento dos propósitos de Deus! Vivem às cegas! Seus interesses são apenas carnais. Em nenhum momento ele percebeu que o seu atrito não era com seu irmão Jacó, mas com o Deus Altíssimo! Jacó passou a fazer parte intrínseca dessa aliança: O Deus de Abraão, Isaque e Jacó!

 

Contudo, não interessava a Jacó alimentar o ódio de seu irmão Esaú. Ele queria muito fazer as pazes com ele. Por isso, quando Jacó decidiu voltar ao encontro de seus pais, agora já casado, com uma grande família, riquíssimo, ele pensou numa forma de apaziguar Esaú. Enviou-lhe muitos presentes, provavelmente com o propósito de agradá-lo e, na verdade, Jacó tinha receio de Esaú. Por certo, pensava: Ele vai me receber?

 

Que grata surpresa quando Esaú correu ao encontro de Jacó, abraçaram-se e choraram! Que peso caiu dos ombros de ambos! Poderiam até respirar melhor! Como seria bom se todos os atritos entre irmãos tivessem esse desfecho! Não só entre irmãos, mas, entre pais e filhos, entre amigos, entre vizinhos, entre os povos e, principalmente, entre Deus e a humanidade!


 Lembram-se do retorno do Filho Pródigo? Nessa parábola, Cristo nos mostra o quanto Deus Pai deseja o retorno de Seus filhos! Assim como Jacó, Deus também tomou a iniciativa de vir ao nosso encontro! Lembram-se da manjedoura, da estrebaria e da Cruz de Cristo? Foi ali que, através de Cristo, o Deus Filho, abriu Seus braços na cruz, pagando o preço das nossas transgressões e removeu toda a inimizade que havia entre Deus e os seres humanos!

 

“Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. [...] Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus”. (II Co 5:18-20)

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

LUTANDO COM DEUS!

 


“[...] ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia. Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem. Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. Então, disse: Já não te chamarás Jacó e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Tornou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali. Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva. Nasceu-lhe o sol, quando ele atravessava Peniel; e manquejava de uma coxa”. (Gn 32:24-31)

 

A principal qualidade de Jacó era, sem dúvida, a garra que ele tinha em se apossar das bênçãos do Deus Altíssimo! Ele estava disposto a ir até as últimas conseqüências para chegar bem perto de Deus, olhar fixamente o rosto do Senhor, sentar-se ao lado dEle e perguntar, exigir, cobrar uma resposta. E ao que parece, o Deus Altíssimo gostava disso!

 

Mas isso não significa que o Senhor ignorasse as falhas e fraquezas de Jacó, passando a mão na cabeça dele e dizendo: Gosto de você do jeito que você é, portanto faça o que quiser que Eu aceito! Não! De jeito nenhum! Percebemos claramente que Deus trabalhava a vida de Jacó, permitindo situações difíceis, sofrimentos e no relato exposto acima, tenho a impressão que Jacó levou até uns “sopapos” na cara!

 

Na verdade, Jacó saiu vitorioso da luta, porém, mancando, pois teve um deslocamento na junta da coxa, a articulação foi afetada e ganhou de brinde, uma seqüela que carregou para o resto da vida! Talvez você esteja atordoado com essas informações. Você pode estar pensando: Não era nada disso que eu imaginava a respeito de Deus! O quê? Um Deus que permite situações difíceis para a gente? Sempre me disseram que Deus é amor? Como pode isso? Um Deus que até luta com a gente? Que faz a gente sair mancando para o resto da vida?

 

Pois é! Veja o quanto nós desconhecemos o Deus Altíssimo! E não é só você e eu que estamos questionando esse fato! Você pensa que os teólogos, estudiosos, cientistas têm a resposta satisfatória para essas questões? Não têm! Procure pastores, padres, profetas e até o papa e perceba como eles também estão confusos e sem respostas! E esse relato sagrado acima, até hoje não foi esclarecido, tão profundo ele é!

 

Algumas certezas o texto nos dá. Que era Deus mesmo que estava lutando com Jacó, sim, era! Nessa ocasião o nome de Jacó foi mudado definitivamente para Israel. Por que tanta luta? Por que a mudança até do nome de Jacó? Entendo que, para que esse personagem pudesse ser instrumento nas mãos do Deus Altíssimo, ele precisaria mudar, não somente de nome, mas também de vida! Mudar no exterior e no interior do seu coração!

 

Jacó, a partir de agora, Israel, teve a sua vida modelada pelo Deus Altíssimo! Era como se o Senhor o desafiasse: Eu quero e posso abençoar a sua vida, mas, a questão é: Você quer? Eu tenho uma tarefa para você: Você quer? Está disposto mesmo a pagar o preço? Eu preciso de alguém que saiba o que quer! Qual foi a resposta de Jacó/Israel? “Não te deixarei ir se me não abençoares.”

 

E assim Israel/Jacó “agarrou-se a Deus” de tal forma até conseguir a bênção desejada! Entendo que é isso que o Deus Altíssimo aprecia e procura em nós! Postura, firmeza, decisão, certeza, força de vontade, determinação, insistência, procura, busca! Você quer, mas quer mesmo?

 

Agora, convido você a olhar para a Cruz de Cristo! Você sabe o preço que Deus Pai pagou, entregando o Deus Filho como resgate por nós! Milênios já se passaram e a oferta continua ali! Quantos a receberam? Quantas vidas já lutaram com Deus e qual foi o resultado dessa luta? Quando o Senhor o chama para uma disputa, pega-o pelo pescoço, dá-lhe uns “sopapos”, faz você sair mancando, marcado para o resto da vida, é porque Ele o ama?

 

Como entender tal amor? Resposta: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as cousas? [...] Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Rm 8:32, 38, 39)

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

"TITIO BONZINHO"

 


Pôs-se Jacó a caminho e se foi à terra do povo do Oriente. Olhou, e eis um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitados junto dele; porque daquele poço davam de beber aos rebanhos; e havia grande pedra que tapava a boca do poço. Ajuntavam-se ali todos os rebanhos, os pastores removiam a pedra da boca do poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a colocá-la no seu devido lugar. Perguntou-lhes Jacó: Meus irmãos, donde sois? Responderam: Somos de Harã. Perguntou-lhes: Conheceis a Labão, filho de Naor? Responderam: Conhecemos. Ele está bom? Perguntou ainda Jacó. Responderam: Está bom. Raquel, sua filha, vem vindo aí com as ovelhas”. (Gn 29:1-6)

 

Temos aqui o encontro de Jacó com Raquel, aquela que seria sua esposa, quando seu tio, Labão, concordasse. Sim, porque Jacó herdou algumas características de seu tio, irmão de sua mãe, Rebeca, pois eram peritos em enganar, tramar, alguns diriam, espertos e audaciosos. O fato é que Jacó tinha umas atitudes duvidosas, principalmente em relação ao seu irmão Esaú, o que causou separação entre eles. Poderíamos dizer que Esaú ficou furioso com Jacó, de mal mesmo, bicudo até, ao ponto de desejar matar o próprio irmão.

 

Acontece que Esaú também não era lá essas coisas, pois desagradou ao Deus Altíssimo, quando vendeu (?) o seu direito de primogenitura a Jacó, cuja moeda de negociação foi “um cozido de lentilhas”, o que levou o Senhor a rejeitá-lo! Mas, não pense que Jacó não sofreu pelo que fez, sofreu sim, acabou experimentando o próprio veneno, quando também foi sofridamente enganado pelo próprio “titio bonzinho”!

 

Sim, porque há um princípio bíblico que diz: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. (Gl 6:7) Acredito que quando Labão negociava com Jacó, um olhava desconfiado para o outro e pensava: O que será que ele está tramando agora? Labão tinha um trunfo: Raquel! Jacó estava tão apaixonado por ela, que assim que a conheceu junto ao poço, onde se reuniram os pastores, esperando uns pelos outros para juntos removerem a pedra pesadíssima que tapava o poço, e não é que Jacó, movido pela força do amor, fez a gentileza de sozinho, tirar a pedra e dar água ao rebanho de Raquel? Pelo menos é o que o relato indica!

 

Você precisa ler o capítulo 29 inteiro para perceber as manobras do titio com o sobrinho. Na verdade, Labão “arrancou o coro” de Jacó. Para conseguir casar com Raquel, Jacó precisou trabalhar de graça para seu tio, por sete anos. No dia do casamento, Labão entregou Lia, irmã mais velha de Raquel, e assim, por mais sete anos de trabalho, ele, finalmente recebeu como esposa, a sua amada Raquel.

 

E não parou por aí, depois que Jacó aprendeu a lição, e viu como é sofrido ser enganado, chegou o momento da decisão: Vou embora! Vou voltar para meus pais. Levo minha família e tudo o que conquistei e não quero nunca mais viver em clima de enganação e saqueamento. Chega! Aprendi a lição.

 

Assim, aprendemos que o Deus Altíssimo não aprova nossas falhas e fraquezas, mas, trabalha através delas o nosso caráter e personalidade, permitindo que passemos por circunstâncias penosas, pois há lições que precisamos aprender! Como vaso de barro nas mãos do oleiro, quando o vaso está com defeitos, ele é quebrado, trabalhado com perícia pelo oleiro que o transforma em vaso de honra, vaso de bênçãos!

 

“Palavra do Senhor que veio a Jeremias, dizendo: Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do Senhor: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel”. (Jr 18:1-6)

 

 

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

ESCADA QUE CONDUZ AO CÉU!

 


“Partiu Jacó de Berseba e seguiu para Harã. Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. E sonhou: eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o Senhor e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência”. (Gn. 28:10-13)

 

Por certo, ao ler o texto bíblico acima, você deve estar pensando: Que cena linda! Que sonho maravilhoso! Como eu gostaria de passar por tal experiência! Como Jacó foi privilegiado pelo Deus Altíssimo! Na verdade, os acontecimentos narrados, não são tão singelos assim. Jacó estava fugindo do seu irmão Esaú que o ameaçava de morte! Motivo? Leia o capítulo 27 e você vai entender! Nesse lugar onde ele havia chegado, por certo, estava tão exausto e até com fome e no escuro, sem ter onde passar a noite!

 

Encontrou umas pedras, escolheu uma delas como travesseiro, acomodou-se, se é que é possível um travesseiro de pedra macia, e assim mesmo caiu no sono! E sonhou...o sonho, de fato, era lindo! Imagine: Uma escada ligando a terra ao céu, com anjos descendo e subindo por ela! Se eu fosse Jacó, tentaria me infiltrar no meio dos anjos e participar da jornada! Mas, ao que parece, o próprio Deus estava ao lado de Jacó e queria apresentar-se a ele.

 

Então, era como se o Senhor dissesse: Jacó, eu sou o Senhor, Deus de Abraão, seu avô, Deus de Isaque, seu pai, e agora quero saber se Eu serei o seu Deus também! O seu irmão Esaú, já me trocou por um prato de lentilhas, por isso retirei a bênção dele e a dei a você! Como é que é? Vai aceitar fazer acordo comigo ou não? Tenho aliança perpétua com seu avô e seu pai, mas quero saber de você, posso contar com você? Sim ou não?

 

Jacó acordou, creio que com o pescoçinho doendo, e, esfregando os olhos, disse com toda a convicção: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus!"(Gn 28:16-17) São essas qualidades de Jacó que agradavam ao Senhor! Fé! Confiança! Respeito! Temor a Deus! Em nenhum momento Jacó deu lugar às dúvidas: Será que foi só um sonho? Será mesmo verdade? O que meu avô e meu pai têm a ver com tudo isso?

 

Agora era Deus e Jacó! Existia uma aliança estabelecida entre Deus, Abraão, Isaque e? E daí, Jacó! Vamos dar continuidade a essa aliança? Mais do que depressa, Jacó escolheu a pedra que havia lhe servido de travesseiro  e a erigiu como coluna, sobre cujo topo entornou azeite e chamou aquele lugar de Betel, que significa “Casa de Deus”. E ali, naquele momento, Jacó assume um compromisso de fé com Deus! É como se dissesse: Não é só por meu avô, Abraão, nem somente pelo meu pai, Isaque, mas é também por mim mesmo, sim, Tu és o meu Deus!

 

“Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo”. (Gn 28:20-22)

 

Sabemos que da descendência de Abraão, Isaque e Jacó, o mundo foi contemplado por Cristo! Sabemos que a Missão de Cristo envolveu a Sua crucificação no Gólgota, cujo sacrifício expiatório, permite a entrada nos céus, diante do Trono de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, sim, de todo aquele que nEle confia! Não é uma escada que liga a Terra ao Céu, mas, uma Cruz, onde todos os nossos pecados foram expiados por Aquele que agora afirma e convida: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. (Jo 14:6)     

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

NÃO PERCA A SUA BÊNÇÃO

 


“Tendo-se envelhecido Isaque e já não podendo ver, porque os olhos se lhe enfraqueciam, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: Meu filho! Respondeu ele: Aqui estou! Disse-lhe o pai: Estou velho e não sei o dia da minha morte. Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo, e apanha para mim alguma caça, e faze-me uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma, para que eu coma e te abençoe antes que eu morra”. (Gn 27:1-4)

 

Quem lê este relato bíblico completo (todo o capítulo 27) fica penalizado com o que aconteceu com Esaú, filho mais velho de Isaque, pois percebe que ele acabou perdendo a bênção que, num primeiro momento, parecia ser dele. Fica aquela impressão: Ah! Coitadinho, foi enganado pela própria mãe e irmão! Dá vontade de chorar com ele!

 

Veja só o que fizeram com o ancião Isaque: Aproveitaram-se da velhice dele, pois já não enxergava nem ouvia direito e achava, com razão, que estava para morrer e queria despedir-se do filho primogênito, porém, em grande estilo! Meu filho, você é um grande caçador! E sabe fazer uma comida saborosa do jeitinho que eu gosto! Então, meu último desejo, atenda, por favor! Vou partir, mas com a alegria de ter me fartado! E assim, quero lhe dar a bênção que o Senhor reservou para você! Só que não!

 

Rebeca e Jacó tramaram enganar o velhinho. Ela preparou a comida tão saborosa como a de Esaú, afinal, mãe sabe cozinhar melhor que o filho, não é? Jacó disfarçou-se de Esaú. Vestiu as roupas do irmão, cobriu-se de peles de cabrito nas mãos e no pescoço, para ficar peludo como Esaú, a comida estava cheirosa e gostosa, mas, e a voz? Não vai ter problema! Papai já não ouve direito!

 

E assim, Isaque ficou todo atordoado: É você mesmo Esaú? A voz é de Jacó, porém as mãos são de Esaú. A comida está muito saborosa! Terminada a refeição, Isaque chamou seu filho, e abençoou a Jacó, com a bênção que ele achava que deveria ser de Esaú! Entendeu?

 

E agora vem o veredicto: Isso foi muito injusto! Foi mesmo? É preciso conhecer o contexto! Esaú acusou Jacó de tê-lo enganado duas vezes: “Disse Esaú: Não é com razão que se chama ele Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura e agora usurpa a bênção que era minha”. (Gn 27:36)

 

Esaú não tinha nenhum discernimento espiritual! O direito de Primogenitura ele próprio desprezou e rejeitou por um guisado! Não valorizou o fato de que essa condição de primogênito lhe dava o direito de receber a bênção da “aliança eterna que o Deus Altíssimo fizera com Abraão, Isaque e... Jacó, pois Esaú a desprezou”. Significativo é o fato de que por um prato de comida ele rejeitou a bênção e, novamente, por um prato de comida ele a perdeu!

 

Esse fato não está registrado apenas como valor histórico. Ele mostra o que vem acontecendo com a humanidade em todo o transcorrer da história humana! E no aspecto espiritual! O Deus Altíssimo oferece a bênção da vida eterna com Ele, bênção que custou o sacrifício expiatório de Cristo no Calvário! E, no entanto, o grupo que segue Esaú, tem rejeitado esta bênção por motivos até inferiores a um prato de comida!

 

Saibam, pois, todos os que rejeitam a Cristo que, assim como Esaú recusou a bênção da aliança com Deus, acabou perdendo também a bênção da comunhão com o Senhor; isso acontecerá com aqueles que rejeitam a Cristo. Se rejeitarem a aliança pelo sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, perderão a bênção de viverem eternamente com o Deus Altíssimo por toda a eternidade!

 

“[...] nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado”. (Hb 12:16-17)